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As minhas músicas

Pilantras - o Ticas Esta era a figura que o Pilantras fazia quando vivíamos na Amadora. Entre eu e ele estava uma porta. Eu ouvia música, se...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Rádio Hoje

 Ventor 02.03.2007

Vamos rolando como o Bob Seger

Hoje, como não podia deixar de ser, tinha de falar de rádio aqui na Rádio Ventor.

Eu também tenho a minha história da rádio!

Há muitos anos descobri uma rádio! Chamava-se Rádio Renascença. Hoje eu não sei se existe a Rádio Renascença! O programa que eu aprendi a ouvir, chamava-se a «Vigésima Terceira Hora». Com o tempo, perdi-me da Rádio Renascença e ouvia um pouco de tudo qualquer que fosse a rádio, sempre que se proporcionava.

Mais tarde, voltei a redescobrir a Rádio Renascença. Levantava-me muito cedo, punha-me actualizado com as notícias enquanto tomava duche ou prolongados banhos de imersão e entretinha-me com o «Bom Dia», a «Bola Branca», etç.,

Por fim achei aquela gente demasiado "tradicionalista" e, porque se dedicavam às touradas, não serviam para meus companheiros de caminhada e, até dei comigo a pensar que me esqueci que existiam!

Tudo isto porque dediquei os meus tempos de audição, às músicas. Em casa ou no carro, ligava sempre o rádio à nova Rádio Nostalgia quando estes apareceram até desaparecerem nas calendas das rádios.

A Rádio Nostalgia oferecia-me música! Muita música e nada de baboseiras. Como sabem, a Rádio Nostalgia desapareceu. Foi transformada em Rádio Clube Português e com isso, chegou o momento de eu dar com a "porta" em todas as rádios que então existiam, mas a Rádio Clube Português, no princípio, manteve-se nas peugadas da Rádio Nostalgia e, por, mais algum tempo, manteve-me «ligado»!

Desde há algum tempo que afastei a Rádio Clube Português dos meus ouvidos, pois para ouvir baboseiras já haviam rádios que chegassem. Agora, comigo, safam-se os CD's e, claro, a minha rádio - a Rádio Ventor. No conjunto das duas rádios, Rádio Ventor e Rádio Quico, tenho cerca de 450 músicas que me animam durante o tempo que estou, por aqui, no computador e para complementar, sempre que me apetece variar, tenho a minha catrefa de CD's, alguns dos quais no Windows Media Player e outros vão entrando e saindo da ranhurinha!

O meu negócio é ouvir música, não é ouvir "paleio rançoso". Para isso estou cá eu!

Assim, em vez de estar sentado no meu carro a ouvir a Rádio Clube Português, mais uma a encher-me a mona de coisas que não sabem a nada, ouço os meus CD's e gatafunho algo que me recorde que a vida continua e que me faz saber que eu estou do lado de cá porque há muita gente do lado de lá.

Gosto de músicas velhas como eu! Músicas que viram passar o tempo e sabem que o tempo não as esqueceu. Elas estão sempre actuais, porque são as músicas que animaram os primórdios da minha vida. Tentei sempre viver nas alegrias e tristezas com as minhas músicas. Elas não me causam tédio, não me aborrecem, apenas me satisfazem. Por isso este post na velha Rádio Ventor. Neste momento continuo com o Bob Seger.

Roll me Away!!

O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás

terça-feira, 16 de maio de 2006

O Fado

  Ventor 16.05.2006

A Amália no seu Barco Negro

Coloquei o fado da Amália, por não ter o da Cristiana.

As minhas músicas são velhas, mas são a meu gosto e são muitas. E isso basta-me!

Mas agora enveredei por uma espécie de alternativa às minhas velhas músicas. Há momentos de saudade e é preciso viver esses momentos e que melhor que o fado para isso?

 


Mas eu acho o fado sempre jovem. Tal como as minhas músicas velhas, sempre jovens e sempre actuais. Hoje apareço aqui, na Rádio Ventor, para vos falar das minhas últimas aquisições musicais. Apenas fado! Quatro CD’s com 47 fados!

 

Pois foi! Desafiaram-me para uma noitada de fados e como não gosto de ser desmancha-prazeres, acedi! Aproveitei um belíssimo jantar e ouvi fados até cerca das 02:00 da manhã. Mas há quem perceba disto e em vez de me deslocar a uma clássica Casa de Fados desloquei-me ao Clube Desportivo de Barcarena. Nem mais!

Tivemos lá, há dias, uma bela noite de fados, cantados por velhadas como eu e por uma jovem a quem prevejo um grande futuro. Espero não me enganar.



Estes azulejos representam o fado em todo o lado. Também me ajudam a esquecer os xailes do Clube Desportivo de Barcarende barcarena

Alguém disse que o fado é o elo mais curto para a saudade. Quem não tem saudades de velhas fadistas como a Hermínia, a Amália e tantos outros? Mas estes fadistas são uma espécie de trovadores do fado. A verdade é que não ficam a dever nada aos grandes cantores fadistas do momento. Mas é preciso sorte para singrar na vida!


Pois ouvi os fadistas e comprei-lhes quatro discos mas coloco aqui esta bela jovem que me fez recordar a Amália.


Eu não percebia nada daquilo e tinha comprado dois discos a dois companheiros dela. Quando ela se chegou junto de mim, com o disco na mão, eu disse-lhe que não estava interessado que já tinha comprado dois. E, dizendo isto, ia pensando que ela ainda poderia vir a ser fadista. Mas depois tive pena dela. Levantei-me, cheguei junto dela na mesa dos fadistas e disse-lhe que sempre queria o seu disquinho. «Arrependeu-se», disse ela. Não, mas acho que sou burro não comprar o disco de quem espero e acredito, venha a ser uma grande fadista! Tinha-a ouvido cantar dois fados e tinha gostado.

Recebeu o dinheiro, assinou o disco, fizemos uma festinha na face, um do outro, e os fados continuaram. Então não é que fiz bem comprar o disco!

Força Cristiana!

O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Os Parodiantes

  Ventor 25.01.2006

A minha Rádio não poderia deixar de fazer uma referência a esta gente que teve por fim divertir os portugueses e eu fui um dos que muito se divertiu com eles.

Sempre que podia, na hora, lá estava eu, frente à Rádio, a ouvir os Parodiantes de Lisboa.

Foram tempos, inesquecíveis, esses para pessoas que, como eu, gostavam da Rádio e eu não os esqueço. Por isso, não posso deixar de prestar aqui, na Rádio Ventor, a minha homenagem aos Parodiantes de Lisboa, especialmente na pessoa deste último homem que se despediu de nós hoje o Rui Andrade. Ele leva consigo tudo o que aquele grupo fabuloso nos deu durante tantos anos, mas nós, os que gostamos deles, ficaremos aqui sentados, de copo na mão, a magicar no passado glorioso dessa gente divertida agarrada a um microfone.



Eles passaram a vida vergados a uma coisa, semelhante a esta - chamada micro - com a vontade de nos agradar.

E agradaram! Parece-me que já não há ninguém que, na Rádio, volte a conseguir animar tanta gente como os Parodiantes de Lisboa (os tempos são outros) e eu bem os recordo, nas suas investigações dos fabulosos Patilhas e Ventoinha, e nos divertimentos proporcionados pelo Compadre Alentejano, pelo Menino Arnestinho  e muitos outros. Até sempre Rui Andrade.

Como diz a Maria da Fé, no seu fado... Valeu a pena!

O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

A minha Rosinha

   Ventor 11,11,2005

Ó Minha Rosinha

Hoje quero aqui prestar a minha homenagem aos homens de hoje e de sempre que se dedicaram a levar o prazer das músicas às aldeias do Norte de Portugal, especialmente, no Minho.

Aos homens de Santa Marta de Portuzelo que nos meus tempos de criança muito me alegraram com os seus altifalantes em forma de sino que penduravam na capela de Adrão e sobre esquinas de telhados de onde saiam sons maravilhosos.

Uma vez, no dia a seguir à festa, ficaram de os ir buscar a um local que se chama Barreira, lá no alto da Aldeia e nunca mais chegavam. Telefonaram para a Tasca do meu amigo Carrasco a dizer o porquê do atraso e que estavam demorados. Só chegariam bem depois do almoço.

Nesse dia, um dia depois da festa, as pessoas já estavam a trabalhar nos campos, a regar os milhos, a sachar, etç., mas os homens de Santa Marta, não desanimaram! Colocaram no monte os altifalantes, ligaram o motor que fornecia a energia e ei-los a trabalhar também. Ouviu-se o gerador a trabalhar e logo de seguida, cerca das 11 horas da manhã: "Atenção! Atenção! Vamos continuar a nossa festa para as gentes de Adrão"!

Oh, minha rosinha ...

De repente, sobre a Aldeia e o vale da nossa veiga, ouviu-se o som de belas músicas, e começaram com esta:

Oh, mimha Rosinha,

Eu heide-te amar,

De dia ao Sol,

De noite ao Luar!

 

Eu heide ir heide ir,

Eu heide ir se for,

Jurar a verdade,

Por ti meu amor!

 

Lai, lai, lai, la rai ...

Lai, lai, lai la rai ...

Lai ...

E assim por diante.

Foi para mim, a maior festa de sempre, por ser surpresa. Uma bela surpresa dada por aqueles homens cheios de muita alegria e vontade e de alegrarem também as gentes que tinham recomeçado o seu trabalho.

Esses eram homens de há cerca de meio século atrás. Homens verdadeiros que não se importaram de dispender do seu trabalho, de desgaste de material, de gasolina ... para animar quem depois de grande folia se dedicava ao trabalho.

Obrigado amigos. Nunca vos esqueci e olhem que era muito pequenino! Obrigado gentes de Santa Marta de Portuzelo.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Nijinsky

  Ventor 17.08.2005

Hoje a minha Rádio vai falar-vos de uma das minhas histórias da música. Assim tipo palestra sobre alguém cuja história me marcou. Eu ainda vi a preto e branco algumas danças de Nijinsky aquele a quem ouvi chamar de dançarino voador. Por isso me lembrei de vos falar dele.

Nijinsky - o Deus da Dança

Este homem fundou Moscovo

Em 1967, tinha uma colega de trabalho, numa Direcção da Força Aérea, que andava a tirar um curso para poder concorrer, à então chamada Emissora Nacional. Desse curso, constava a História da Música! Hoje nem do nome dela me recordo e trabalhámos mais de 8 meses juntos! Eu sabia quais eram as lições dela e a seguir, ia ao Centro Cultural Americano e levantava livros a condizer com as suas lições, cheios de fotos a valer e como todos sabem, uma imagem vale por mil palavras.

 

Nijinsky, ajudou a fundir a alma russa

Ela ficava doida a estudar tanto. Sonhava vir um dia a integrar os quadros da EN, e, quando se agarrava àquele trabalho extraordinário, eu já sabia tudo o que ela ia estudar! Perguntava-me onde eu tinha as fontes da minha aprendizagem e tive de lhe dizer onde era a minha fonte! Hoje sei, sem sombra de dúvidas, que ali, no CCA foi onde tive a minha principal grande Faculdade e digo-o sem vergonha! Nós não tínhamos nada ou então tínhamos muito pouco e o pouco que havia era quase sem interesse!

Por isso, hoje, muitos anos depois, ainda penso que a grande parte da minha pouca ou muita cultura, conforme os azimutes de cada um, é devida às gentes do Grande Império!

Hoje, recordando esses tempos, deixo-vos aqui a história, para mim, do maior bailarino que sempre existiu! Apesar de sempre o ter visto a preto e branco! Vaslav Nijinsky (O Novo Deus da Dança), nasceu em Kiev, na Ucrânia, em 1890. Já os seus pais tinham sido dançarinos célebres, tendo o seu pai sido famoso pela sua virtuosidade e dar saltos enormes. Os Nijinskys tinham a sua própria companhia de dança e trabalhavam através do império russo.



A dança de Nijinsky foi um monumento à grandeza da Rússia

 ... O pequeno Nijinsky passou quase toda a sua infância no Cáucaso, onde ia dançando com o seu irmão Stanislav e sua tia Bronislawa, e o pai sabendo da sua propensão para a dança, deu-lhe as primeiras lições.

Aos nove anos, Nijinsky entrou para a Escola Imperial de Dança, em São Petersburgo, onde os seus primeiros professores descobriram o seu talento para a dança. Aos 16 anos quiseram dar-lhe a graduação que lhe permitiria entrar no Teatro Mariinsky, mas ele declinou preferindo concluir o período normal de estudos. Nesta altura ele já tinha sido apodado como a oitava maravilha do Mundo e o Vestris do Norte!

Durante os seus anos de estudo ele apareceu no Teatro Mariinsky, primeiro como membro do corpo de ballet e mais tarde como pequena parte interessante. Em Julho de 1907, juntou-se ao Teatro Marinsky como solista. A sua primeira presença foi no ballet, La Source, com a bailarina russa Júlia Sedova como parceira e o público irrompeu imediatamente num entusiasmo selvagem.

Como nobre dançarino ele dançou todas as partes nobres do Teatro Mariinsky e também no Teatro Bolshoi, em Moscovo, onde ele foi um convidado especial. O seu sucesso foi fenomenal!

Em 1909 Sergei Diaghilev, o primeiro assistente do administrador do Teatro Imperial, foi convidado pelo grão-duque Vladimir a organizar uma Companhia de Ballet com os membros dos teatros Mariinsky e Bolshoi; podemos chamar-lhe uma fusão. Diaghilev decidiu levar a companhia a Paris na primavera e convidou Nijinsky a juntar-se-lhe, como dançarino principal. A sua primeira actuação foi em 17 Maio, de 1909 no Teatro du Chatelet.

Nijinsky alcançou Paris como uma tempestade. Diz-se que a expressão e a beleza do seu corpo, a sua leveza como uma pena e firme como o aço, a sua grande elevação e o incrível dom de se elevar e parecer permanecer no ar, bem como a sua extraordinária virtuosidade e acção dramática, fez dele um génio do Ballet!

Em 1912, Nijinsky começou a sua carreira como coreógrafo e criou para os Ballets Russos de Diaghilev, os ballets, L'Aprés-midi d'un Faune, A Sacração da Primavera”e Till Eulenspiegel, este já produzido nos Estados Unidos sem a supervisão pessoal de Diaghilev.

O seu trabalho foi considerado audaz e original. Em 1919, com 29 anos, Nijinsky retirou do palco em consequência de um colapso nervoso, que foi diagnosticado como esquisofrenia. Viveu desde 1919 a 1950, na Suissa, França e Inglaterra, tendo morrido em Londres, em 1950 e foi enterrado perto de Auguste Vestris, no cemitério de Montmartre, em Paris.

Ele tinha o coração, em França

São estas as voltas da vida de Nijinsky. Nascido na mãe russia onde se tornou o mais brilhante graduado da Escola do Teatro Imperial e onde foi famoso pelos seus saltos e caracterizações, acabou por viver, morrer e ser enterrado na Europa da Liberdade.

 

A sorte não quis nada com Nijinsky, mas apesar de ter morrido em Londres, quis que fosse a França (sua pátria da liberdade) a recebê-lo no seu seio.

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