Um dia, num verão da década de oitenta, caminhava eu por Arcos de Valdevez, naquele belo local a que chamam Campo. O tal local que, fica na margem direita do rio Vez, e cujo conjunto, Campo-Vez, terá sido, sempre, uma beleza da Natureza. Se calhar, foi a sua beleza que tramou o nosso "primo galego" ou "primo leonês" - o Afonso VII!
Mas caminhava eu, então, ao encontro da minha gente que andava por ali e, sob o tecto lindíssimo do meu amigo Apolo, ouvi, pela primeira vez, esta canção da Linda de Susa - "A mala de cartão".
Esta mala é mais de madeira mas, a de cartão é semelhante
Na altura fui levado, mentalmente, a atravessar fronteiras - as fronteiras do desconhecido - tal como a Linda de Susa e quase toda a minha gente que partiu, das minhas belas montanhas, à procura de outros sóis.
Por isso, e sabendo eu como muitos sofreram, na carne, o estigma da emigração, deixo aqui a bela canção da Linda de Susa, para recordar e para prstar a minha homenagem a todos que usaram a velha mala de cartão.
Eu também caminhei com uma, que tinha andado por terras de Espanha e de França e que, tal como eu, ainda teve forças para caminhar, junto comigo, fazer a "guerra" em África! E sabem uma coisa? Lamento não ter, ainda hoje, esse malinha.
Deixo-vos, então, com a "Mala de cartão" da Linda de Susa
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
E Para falar-vos de Rock, começo pelos Creedence Clearwater Revival. Que podemos nós dizer deste grupo?
Que trouxe o rock and roll, de volta às suas raízes, cantor, escritor de canções, guitarrista e líder John Fogerty, lutou pelo restabelecimento das raízes do Rock and Roll. Os seus elementos chaves foram rebuscados em bandas que tocavam em Bares cerca de uma década antes de partir para o sucesso nos últimos anos da década de 60, quando acompanhava os Blue Velvets formados, em 1959, por seu irmão Tom Fogerty, o basista Stu Cook e o baterista Doug CosmoClifford, uma banda instrumental constituída por estes três rapazolas, em El Cerrito, localidade situada ao longo da Baía de S. Francisco.
O grupo só se encontrou quando John, tomou conta da direcção da banda, cantando e escrevendo as suas canções.
No seu primeiro álbum como Creedence Clearwater Revival, em 1968 (quando eu pisava e repisava as Lânguas das savanas de Marrupa), o grupo tocava e cantava os êxitos dos anos 50, I Put a Spell on You andSuzie Q. Mas a banda só brilhou com Proud Mary um número simples no início de 1969 (ano em que eu brincava às guerras com os meus Jaguares pelos contrafortes das montanhas do Maniamba) que demonstrou o talento de John Fogerty
Foi a grande partida para uma torrente de grandes clássicos como o empertigado Little Richard, cantor onde se inspiraram nos últimos 2 anos, incluindo:
Bad Moon Rising; "Down on the Corner; Travelin Band; Wholl Stop the Rain; Up Around the Bend e, Lookin Out My Back Door.
Quando os Beatles quebraram, no início dos anos 70, foram os CCR que deram competição. Mas John Fogerty em 1971 desentende-se com o grupo, passou a trabalhar só e o grupo ficou reduzido a três, mas sem êxito. Pensavam em voltar a juntar-se, mas foi apenas um sonho. Tom Fogerty morreu em 1990, e o grupo ficou sem hipótese de se voltar a reunir. Em 1984, John Fogerty, na sua caminhada solitária, tinha lançado o seu álbum, Centerfield.
Quando, no início da sua marcha para uma curta glória, com marca universal, em 1968, John dizia que queria fazer gravações que tocassem na rádio, pelo menos, durante 10 anos. Três décadas mais tarde as canções de Creedence, incluindo Proud Mary, Born on the Bayou, Bad Moon Rising, and Green River são um núcleo dos clássicos do rock and roll!
Sob a tutela de Fogerty, Creedence Clearwater Revival, definiu o espírito e o som do rock and roll, tão autêntico como nenhum grupo americano tinha feito.
Com a adição de John ao grupo, substituíram a etiqueta Blue Velvets por Golliwogs (Fantasmas), um grupo com sonoridade mais inglesa, tocavam em danças locais e em 1964 assinaram com a produtora Fantasy Records.
Como Golliwogs, gravaram sete discos sem êxito de audição pelo público em geral. Finalmente apareceu uma nova etiqueta Creedence Clearwater Revival, com John Fogerty agora firme no topo como guitarrista, cantor, escritor das canções e produtor, e relançou-se com a clássica Suzie Q. Desde então, os hits chegaram e a banda lançou seis álbuns de poderosas e belas raízes orientadas para o rock and roll entre 1968 e 1970.
Creedence Clearwater Revival; Bayou Country; Green River; Willie and the Poorboys; Cosmos Factory e, Pendulum.
Dez dos singles de Creedence quebraram o Top Ten durante 1968-71. Embora o grupo não fosse abertamente político, algumas das suas canções particularmente Fortunate Son e Wholl Stop the Rain expressaram eloquentemente a resistência à contracultura para com a Guerra do Vietnam e simpatia para com aqueles que estavam lutando no que agora permanece como hinos daqueles tempos turbolentos.
O termo raízes do Rock ainda não tinha sido inventado quando apareceram os Creedence, mas, de uma forma real, eles definiram-no acarretando a inspiração de Little Richard, Hank Williams, Elvis Presley, Chuck Berry e os artistas do soul em Motown e Stax. Assim, os Creedence Clearwater Revival tornaram-se, nos porta-estandartes e os primeiros celebrantes da guarda territorial da música de rock americana.
On the Road
BAD MOON RISING (J.C. Fogerty)
I see the bad moon arising. I see trouble on the way. I see earthquakes and lightnin'. I see bad times today.
CHORUS: Don't go around tonight, Well, it's bound to take your life, There's a bad moon on the rise.
I hear hurricanes ablowing. I know the end is coming soon. I fear rivers over flowing. I hear the voice of rage and ruin.
CHORUS All right!
Hope you got your things together. Hope you are quite prepared to die. Looks like we're in for nasty weather. One eye is taken for an eye.
CHORUS CHORUS
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
Mas tudo acaba, e os Four Tops, como todos os grandes, já acabaram também!
Por isso, eu quero deixar aqui a minha homenagem a estes quatro cavaleiros de um outro Apocalipse. O Apocalipse da alegria que nos foi proporcionada pela sua música.
Em 1967, tanto quanto me recordo, ouvi esta música pela primeira vez. Tinha vindo da Base Aérea 2, da Ota, num fim de semana e lembro-me de, em Lisboa, numa casa de gente amiga, ouvir esta música. Parei junto do rádio e fiquei ali especado até ao fim a ouvi-los. Eu não percebia nada de inglês, mas sabia o rudimentar do liceu e fixei o «Reach out, I'll be there». Alguém disse: "se gostas tanto, vou comprar este disco para ouvires até te fartares"! Mas não. Eu nunca me fartei! Hoje, continuo a ouvi-la, com a mesma vontade de então!
Esta bela música foi meu lema durante muitos anos e deu-me a vontade suficiente para continuar as caminhadas de outrora. «Reach out, I'll be there» aprendi eu a dizer. Mais tarde aprendi o mesmo lema com a Sylvie Vartan: «J'Atendrai".
Com a morte de Levi Stubbs, fica apenas um sobrevivente do grupo: Abdul "Duque" Fakir. Mas as suas músicas continuarão connosco, enquanto eles "Lá" esperarem por nós.
Os Four Tops, mantiveram-se como grupo durante 43 anos, o que, em termos de grupos musicais, será quase uma eternidade.
Eles começaram a cantar, em 1953, como Four Aims, mas mais tarde mudaram o nome para Four Tops, para não serem confundidos com os Ames Brothers.
Se a minha memória não me deixa mal, acho que o grupo terminou em 1996, mas a sua música tem continuado connosco e, pelos vistos, vai continuar.
Ouçam os Four Top.
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, umdos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
Quado ouço esta música, fico com a sensação que o título desta canção se tornará uma realidade, mais próximo do que o imaginado.
Mas, também, relativamente ao mesmo título e sem saber o que terá levado o autor da canção e os Walker Brothers a utilizá-lo, fazendo e cantando esta música, acho que há outro relacionamento com uma certa lógica.
Como eles partiram dos Estados Unidos para a Inglaterra, à procura de outros ares para se imporem como artistas da música, será que, ao esbarrarem com os nevoeiros ingleses, pensaram que não voltariam a ver o seu sol, o meu amigo Apolo?
Isto é apenas um comentário!
Se perdemos o sorriso do meu amigo Apolo, estaremos feitos
Porém, eu acho que foi uma troca perfeita para concretizarem esta música que procuro, em disco CD, para a minha colecção.
Por isso, acho que ela é perfeita para ocupar um pedacinho do espaço da minha Rádio.
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás