A RTP e o Ventor, estamos com o fado, durante o tempo que resta neste mês de Novembro
O fado da vida, da nossa vida, é tocado e cantado no mundo inteiro!
Esta noite, provavelmente, será cantado, em Bali, na Indonésia e, levado por consenso ou por votação, a Património Imaterial da Humanidade. Lá pelas 04:00h da manhã, em Portugal, o fado poderá enriquecer o Património Imaterial da Humanidade, documentalmente, porque, na prática, já o enriqueceu há muitos anos, lembrando-nos que a história do fado nos recorda que ele já existe desde meados do séc-XIX.
Deixo-vos aqui o fado, Maria Lisboa, da Amália Rodrigues. Dedico-o a todas as Marias e, especialmente, a uma amiga, ex-colega de trabalho, a Drª Maria Lisboa que, se um dia tropeçar neste meu Blog, verá que, os anos não matam, enquanto o nosso amigo Apolo nos iluminar
O Fado - painel do fado, por José Malhoa
Que melhor imagem para nos dar uma ideia clara do fado, que este painel de Malhoa?
Eu sempre achei este painel uma beleza. Ele representa uma tasca viva, onde se canta o fado, se vive e se chora a vida.
Amália, Arte de Rua em Lisboa, foto tirada da Wikipédia de autoria de Môsieur J.
Depois, esta foto que alguém retirou com a sua câmara de uma rua de Lisboa e faz com que eu a encare como o expoente máximo da chamada Arte da Rua. A figura da Amália Rodrigues, espreitada por mãos que viam! Para mim e por ser do meu tempo, o expoente máximo do fado, sem tirar o valor a outros que tão bem o cantam.
Uma estátua, na frente ribeirinha de Belém, virada para o rio Tejo, representando Amália Rodrigues numa guitarra rasgada
Esta guitarra que representa a Amália e o fado, a nossa canção nacional, olhando o Tejo e, homenageando Amália e, para mim, também, homenageando todos aqueles que, através dos tempos, partiram, cantando o fado da sua vida e, quantas vezes, sem regresso.
A guitarra portuguesa, uma foto wiki, que dizem resultar do cistre europeu renascentista
Eu, como já tenho dito por aqui, já fui anti-fado mas, apenas, nos tempos em que, no meu sangue, ainda corriam os vírus do vira, da cana verde, da chula, do "S" de Soajo, ... os tempos em que eu parava o fado para transmitir esse vírus às máquinas dos discos, nas tascas da Mouraria.
Concluindo, a minha vida também foi tocada pelo fado! Por isso, tal como qualquer lisboeta, ... tal como qualquer português, espero que o fado venha a ser reconhecido, como Património Imaterial da Humanidade. Afinal, os portugueses foram os pioneiros da globalização e também na música! Ainda hoje, segundo o que vão observando, mundo fora, o fado se canta em qualquer lado onde haja um português e, como sabemos, há portugueses no mundo inteiro, o que nos leva a acreditar que, votado ou por consenso, o fado será Património Mundial! Pelo menos, assim o espero.
Uma foto wiki, da autoria de trialsanderrors - Toni Frissell, Fado singer in Portuguese night club, Lisbon, 1946
No ano em que eu nasci, era assim a vida numa taberna de Lisboa. Hoje, as tabernas são as cores mas, a vida do fado continua a mesma! Cantar, beber e chorar!
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
Por isso, a Rádio Ventor, não devia deixar passar esta data sem deixar aqui, a minha homenagem a todos os músicos deste mundo e do outro. Todas as músicas podem, muito bem, servir para homenagear este dia.
Mas não! Não vou escolher o Vira do Minho, nem a Chula, nem a Canaverde, nem o fado, nem ....
Hoje vou escolher uma música que muita gente de Adrão, se calhar, ainda nem ouviu!
Estive, agora mesmo, frente à televisão, porque fui chamado, a observar o Vitorino e os seus burros. Normalmente, falando do Vitorino, é falar de música mas, para mim, a partir deste momento, ficarei a sentir-me melhor quando ouvir falar do Vitorino e da sua música pois acabarão por entrar, nos meus ouvidos, também os burros do Vitorino. Ele bem tentou fazer para ouvirmos a música de algum dos seus burros mas não! Eles hoje não estavam predispostos para a música. Dizem que isto foi uma invenção dos homens portanto, hoje, a música não é com eles, os burros.
A mim, só me resta agradecer ao Vitorino pela sua voluntariedade em cuidar desses amiguinhos. Ele diz que não que, os burros, já não correm perigo de extinção, pelo menos, em Portugal. Diz que já há bastantes. Infelizmente há, mas não são burros como os teus Vitorino! Há muitos burros mas não são dos que nos interessam!
Estive quase a fazer como os burros do Vitorino! Desistir da Música mas, há muita gente a colaborar para que a vida não nos custe tanto. Brindam-nos com músicas bonitas e homenageando uma música, tentarei homenagear todas as músicas que me têm tornado o meu mundo mais bonito.
Eu sei que há muitas e para todos os gostos. E como me predispus a só escolher uma, cá vai ela!
Katyusha - uma bela canção que em tempos correu mundo nos instrumentos e vozes do Red Army
Que mais podemos querer que uma bela música como Katyusha a dizer-nos que o mundo é belo? E que melhores sons para nos falar das belezas das músicas? A katyusha, hoje, ganhou à Kalinka para ocupar o meu post. Mas, como eu não sou mauzinho, deixo-vos a Kalinka também, para os que a preferirem. Duas belas russas de outros tempos, que caminharam nas grandes planícies da Europa, penduradas nos bigodes dos Kossacos e dos Coros do Red Army ou se preferirem, de l' Armée Rouge.
Estas músicas fazem parte da Globalização. Recordo-me de um movimento de gente de bem que, nos anos 60, fizeram um pedido directamente a Salazar para que fosse autorizado a que o Exército Vermelho viesse a Portugal cantar para os portugueses. Foram autorizados a vir a Braga, onde actuaram no Teatro do Circo, apenas 45 representantes do Exército Vermelho e não os cerca de 600 que faziam parte dessa arma terrível que conquistava corações - as músicas russas ou, se preferirem, as músicas soviéticas de então.
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
Acompanhem, à luz de Apolo, permitida por ele e pelo Senhor da Esfera, a beleza dos malmequeres que a Prima Vera recebeu do mano Inverno.
A beleza dos malmequeres, existe também na música
Tenho caminhado por entre os tais malmequeres mentirosos e confirmei uma certeza que já tinha.
Os malmequeres podem mentir-nos sempre que lhes apetece quando lhes arrancamos as pétalas, mas não metem quando nos olham, quando são eles a nos observarem.
Eles imitam, muito bem, a redonda face, longínqua, do meu amigo Apolo, quando sorriem com aquele ciclo amarelo no centro e esticam as suas pétalas brancas à procura do infinito.
Acompanhei, nas minhas caminhadas, o nascer e o crescer destes malmequeres
Caminhando entre eles, acompanhado por aquelas revoadas emanadas da energia partilhada por um dos meus companheiros de caminhadas, Eolo, eles sempre vão dançando o vira e revira de um vira tão eufórico como a beleza natural que me apresentam.
Mas também são chatos! Fundamentalmente, quando nesse vira-revira, se juntam numa luta colectiva contra a minha já tão dessiminada grande fama de paparasi reconhecida por todas as flores de vales e cabeços às margens do Tejo.
Eles fazem, certamente, as n ossas caminhadas muito mais belas
Imaginem as teimosias do Ventor e dos malmequeres, quando o meu amigo Eolo se pretende divertir connosco. Só vendo! E calculem os shows que eu e os malmequeres já temos dado com essas teimosias. Coelhos e perdizes, pássaros e escaravelhos, minhocas e gafanhotos, ... humanos e tantos outros, se divertem connosco. E imaginem que nunca tenho a tentaçãso de disputar o jogo do "bem me quer", "mal me quer", com as suas pétalas.
Pensei escrever aqui algo sobre esta linda flor, mas desisti, tal a complexidade botânica, emaranhada em géneros e espécies sem fim, levou-me a pensar, por que motivo tornar tão complexo uma flor tâo simples e tão bonita e, ... ainda por cima, nos quer bem!
Mas, os malmequeres, são de uma grande imensidão, de cores, de formas e até de espécies - milhares! Mas eu só chamo malmequeres a estas duas formas, desde que nasci. Todos os outros pertencem à outra grande imensidão, bem maior - as flores.
Fiquem só com os malmequeres. Esqueçam os milhares de espécies, de géneros, de ....
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
Vou deixar aqui, a minha homenagem a um homem - João Maria Tudela - que faleceu hoje, vítima de AVC, no Hospital de Cascais.
Que melhor forma haveria de o fazer, que começar e acabar nestes curto espaço, com esta bela palavra daquela terra de sonhos a que os homens, um dia, deram o nome de Moçambique!
Kanimambo, João Maria Tudela.
Deixo aqui a música que te imortalizou.
Kanimaaaaaamboooooo!
Coloco este vídeo porque ele consegue transportar-nos à velha cidade de Lourenço Marques, a Princesa do Indico ou, como também se dizia, então, a cidade das acácias e, vim a saber depois, a cidade de João Maria Tudela, onde nasceu, em 1929
Ouvir João Maria Tudela, é levar-nos a passear pela Baía do Espírito Santo, onde, à chegada, no dia 25 de Janeiro de 1968, nos foi pedido para chegarmos, o máximo de homens (éramos cerca de 1.800), à parte direita da proa do navio Niassa, para ajudarmos os rebocadores a sacá-lo às areias que, transportadas do oceano Indico, para dentro da baía, por uma terrível tempestade que ali se chama monção, o prenderam ao fundo.
Cá para mim, foi o meu amigo Neptuno que achou que devia fazer uma patifaria ao Ventor que tinha caminhado, durante 21 dias, no mais pacífico dos mares, desde Lisboa até à cidade das acácias, no Índico.
Ainda hoje tenho nos meus ouvidos o roçar do casco do Niassa, aprisionado no fundo da Baía do Espírito Santo, tal como sempre tenho nos ouvidos, esta bela canção do João Maria Tudela.
Que o Senhor da Esfera te proporcione um descanso em paz, João Maria Tudela.
Kanimambo.
Kanimaaaaaamboooooooo ....
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás
A Maria, ofereceu, para familiares e amigos, no Conservatório da Música, em Carnide, uma "audição de piano" e tocou para nós, Grandfathers Clock. Talvez pensando que iríamos ter de mudar a hora e o Grandfathers Clock teria de conviver com o "martírio" da mudança de uma para trás, uma para a frente, durante o ano.
Não tardará muito, se ela se dedicar ao piano, assistiremos a uma bela sonata de Beethoven, tocada pela Maria, lá para os lados do Danúbio. Viena irá parar para ouvir e os cisnes do Danúbio, muito depois do grande tema, ainda estarão a dançar o seu Danúbio Azul para o Ventor os ver. Quem sabe se, das azinhagas de Carnide, a Maria não será catapultada para os grandes salões de Viena, de Innsbruk, de Paris, de Londres, de New York, de ...
Aqui, sentada frente ao grande piano, ela está concentrada no sua audição e no Grandfathers Clock
Por agora, ficamos-nos pelas azinhagas de Carnide, aquele típico bairro lisboeta que ainda nos mostra cambiantes dos dois últimos séculos e mais mas, recordou-nos que os sons saídos dos dedos da Maria ainda podem ir bem longe!
Temos, no entanto, a certeza, que os dedinhos da Maria nas teclas do grande piano do Conservatório de Música nos informava que a vida continua na roda do tempo, sempre em mudança, com relógio ou sem relógio e, até o João sabe que é assim pois já tem relógio e para que a mudança não pare, nos diz, com toda a segurança, que já lhe podemos perguntar as horas, não vá o diabo tecê-las!
Agora, depois da audição, agora já sós, apenas o Ventor e a Maria, o Ventor concentrou-se nas fotos e a Maria numa representação exclusiva para o Ventor. Mas, agora, com o ursinho ao colo, não largando a sua mascote
Agora que temos uma princesa do piano, ela irá preencher uma bela página desta Rádio galáctica, a Rádio Ventor e, com o tempo, com piano ou sem piano, a Maria terá oportunidade, se tiver vontade, de nos levar a ver os seus futuros saraus.
Pequena Ópera, Bastien e Bastienne de Mozart
O Ventor gosta de música e de instrumentos musicais e, entre eles, um dos mais apreciados é a gaita galega, como dizíamos em Adrão, 50 anos atrás